13/02/12 - 06:31

Aqueles tempos quando tudo era uma aventura. Quando a motivação era incrivelmente maior do que o questionamento, e a felicidade estava nas coisas simples. O cotidiano lhe dava saudade, muita saudade. Coisas específicas, talvez estranhas faziam ele se lembrar com carinho daquela época. O cheiro das pessoas, a textura da parede, tudo estava guardado no cérebro dele.

Mas de alguma forma nós temos que seguir em frente. Só existe uma chance de aproveitar um momento. A vida é um trem que nunca para, e até aquele momento ele não estava gostando da viagem. As esquinas estavam cada vez mais sujas, e o mundo cada vez mais cinza. Era como se afogar em um mar de tédio e problemas. A felicidade já não era mais satisfatória, só a euforia importava, para conseguir respirar.
Mentira, ganância, medo, covardia, fraqueza, rigidez. As árvores ficaram tristonhas, e as caminhadas se tornaram cansativas. O que estava acontecendo com a vida? O que era todo esse sentimento? Como esse tipo de coisa acontecia? Quantas perguntas podiam existir? Existia alguma resposta? É tudo tão incerto, o mundo é um tabuleiro onde se passa um jogo baseado totalmente no acaso, de uma forma especialmente cruel.

Alguém poluiu a fonte da vida, alguém a envenenou.

03/01/12 02:36

- Eu juro por deus, se eu ouvir de novo tu me pedindo pra colocar esse CD do Van Halen, eu vou te enfiar ele cu adentro.

Era tudo que havia restado. O apocalipse zumbi com certeza às vezes parecia bem mais legal na internet. Você acha que vai sair por aí atirando na cabeça de todos os zumbis, mas você já segurou um rifle? Não é coisa pra qualquer um carregar, ainda mais mirar com aquela bosta. Ah, e boa sorte encontrando munição.

Estavam todos apertados em um quarto cujo teto era aproximadamente a altura da calçada, então tinha somente uma pequena janela no topo. A bagunça generalizada com armas e alimentos de todo tipo parecia não incomodar seus habitantes, que, apesar de irritados em outros momentos, estavam bem tranquilos agora. Afinal, tinham toda a heroína de que precisavam.

Um dos integrantes do grupo, outrora estudante de faculdade, perguntou, com olhos de surpresa e medo.

- Esperem aí, quantas seringas nós temos?

Vestia-se com estilo excessivo, ultrapassando a barreira do ridículo, tinha um cabelo enorme e a cara repleta de gordura, cravos e algumas espinhas.

- O que você quer dizer?- Respondeu aquele que parecia ter tomado a liderança.
- Nós podemos pegar aids, você sabe...
- No meio do apocalipse zumbi... sério? Essa é a sua preocupação?

O jovem comprimiu-se e olhou para o chão em tristeza e punição, movimento já comum naquela altura da vida. Todos riram. De fato, só possuíam duas seringas, o que significava que ia ter que rolar uma divisão. O hippie levantou-se:

- Olha, cara, não sou muito a favor dessas drogas farmacêuticas, mas se vou morrer, prefiro que seja alucinando.
- Assim que se fala, agora me passa essa colher – respondeu o líder, enquanto cortava uma tira de borracha.

Começou a aquecer o produto. Haviam concluído que a melhor forma de morrer seria de uma overdose. Todos sabiam onde conseguir drogas, afinal de contas, não é somente hippies que fumam maconha. Foram onde costumava ficar o traficante mais próximo, e depois de muitos cagaços e zumbis, conseguiram encontrar um pacote com 6 kilos de heroína. A surpresa ficou para a planta de cannabis mutada carnívora que tentou comê-los no jardim próximo à entrada. Uma grande decepção para o hippie, que teve seu lema de “paz e amor” abalado com o acontecimento.

Integravam também o grupo: uma ex-professora do primário, de enormes seios fartos que já vinha há horas soltando os peidos fedorentos responsáveis pelo despertar de todos em meio ao sono. Aquele decote já quase não conseguia descer mais pra disfarçar. Uma aluna do último ano do segundo grau desta escola. Uma legítima putinha, que depois de 4 semanas de isolamento e 14 livros da coleção de filósofos alemães presente naquele quarto, havia se transformado em um estranho paradoxo loiro ambulante. E por fim, um cara desempregado que aspirava em fazer letras, filosofia e ciências sociais em faculdades internacionais, mas até aquele momento estava sem um tostão, e não havia feito muito mais do que um ano de administração em uma faculdade particular. Você pode pensar que ele tinha muitos pensamentos interessantes e boas ideias, mas estaria errado.

A primeira dose estava pronta. Foram tomando um por um, inserindo a agulha nas suas veias e deitando no chão, sentindo a sensação de mil orgasmos. Eram distribuídas doses cavalares, que iam fazer a mágica em breve. Ia ser uma mordidinha de mosca, um super orgasmo, e a morte, tudo em 5 minutos. O problema é que durante aqueles 5 minutos, eles alucinaram... e, bem, eles alucinaram como se não houvesse amanhã.

Naquele momento o mesmo pensamento ocorria na cabeça de todos: aquela havia sido uma ótima ideia. Todos estavam tendo uma ótima experiência e iam em paz, sem serem comidos por criaturas horrendas e nojentas. Um deles estava inclusive prestes a abrir uma porta celestial, gigantesca, com uma maçaneta dourada, que lhe permitiria ter uma conversa com ele, o Todo Poderoso, antes de partir por parada cardíaca. Abriu a porta e correu em alucinação e alegria, mas não pode, pois foi interrompido por uma série de anjos, que passaram a entrar pelo quarto cada vez com mais velocidade. Estava impressionado, seria carregado pelos anjos para a conversa com o criador, até que sentiu um dos anjos tirando-lhe um bife da batata da perna. Foi então que reparou na porta que havia sido aberta, e na cagada que ele tinha feito. Mas estava tão chapado de heroína que não deixou de rir enquanto era devorado, imaginando :

Se eu vi anjos, imagino o que diabos os outros viram antes de serem comidos...

02/01/2012 - 04:03

Acordou. Outra terça-feira, aquele dia da semana que não é nem o primeiro, nem a metade, provavelmente o pior. O calor e os barulhos da cidade causavam uma sensação quase de urticalha na sua pele. Se lavou, se arrumou e antes de sair da porta já estava sujo como um porco. Deu uma última olhada para a tranquilidade de sua casa, até a noite, aquela seria o último olhar para a tranquilidade que teria. Mal sabia que seria o último de sua vida...

Desceu as escadas e saiu pela porta de seu prédio. O sol, no céu completamente poluído, iluminava o quão cinza a cidade era. Estava prestes a passar pela banca de revistas. O mesmo atendente gordo de cabelos brancos há 13 anos. Sempre lendo o jornal, dava um oi sem tirar os olhos em interesse das páginas de uma revista. Porra, por que se dava ao trabalho? Ainda balbuciava algo se não era respondido. Outras gerações mais educadas e sabe-se lá o que mais. Aproximou-se, e ia se adiantar em dizer o oi, um movimento quase automático naquela altura da vida. Não hesitou em olhar para o lado quando não ouviu o olá de volta do velho rabugento. Para sua surpresa ainda maior, era a primeira vez que reparava o quão brilhantes e roxos seus olhos eram. Do meio da sua camisa floreada saiu uma massa desforme e extendeu-se até sua camisa, e puxou-o, para então atirá-lo por um buraco embaixo da estante do caixa.

Sugado por um tunel cheio de luzes roxas, inexplicavelmente caiu pelo teto de algum tipo de espaçonave. Era pequeno e em uma cadeira um pedaço de massa verde disforme com doi brilhantes olhos roxos parecia operar o painel. Era horrível, a visão quase o enlouqueceu. Pensou que estivesse enlouquecendo, que finalmente a rotina o havia vencido e a esta hora estava prestes a se jogar de um prédio achando possível voar. Que merda que é essa injustiça, pensou, morrer sem saber. Outro pedaço de massa com os olhos aproximou-se dele, era o velho, provavelmente. Era horrível, tinha alguns órgãos expostos, e deixava uma meleca grossa e escrota por onde quer que passasse. Aproximou-se dele e abriu sua boca expondo dentes que incrívelmente cabiam ali dentro. É agora, fodeu, pensou, minha vida já era. Então daquela boca saiu um rugido enorme e fedorento, que foi logo interrompido. Um braço brotou da massa, com uma espécie de relógio. Outro braço brotou e apertou-o

- Desculpa. Eu sempre esqueço de ativar o tradutor
- O tradutor? – Respondeu o homem, atônito. Estava sendo uma terça-feira e tanto.
- Sim, para você entender minha língua.
- Ah. Sim. O que vai acontecer?
- Você vai ser comido pela besta cósmica, para que nossa galáxia fique intacta.
- Como assim? Que besta cósmica?
- O conhecimento completo explodiria seu cérebro incapaz – Respondeu a massa – Mas posso lhe dizer que a alimentamos para que ela não coma toda a via láctea e parta para nossa galáxia. Então protegemos a galáxia de vocês alimentando-a com a sua raça, para que não tenhamos que o fazer com a nossa raça.
- Ou seja, comemos seus cus para que não comam o nosso – Respondeu a massa no painel, sem retirar seus olhos do visor
- É – rebateu a colega – mas podemos fazer algo de bom para você. Quer ver o sentido da vida?
- Bom, se não tenho escolha, quero.

A massa apertou um botão e uma imagem do sentido da vida foi mostrada em um visor na sua frente. Ao mesmo tempo que seu coração se encheu de esclarecimento e alegria, seu cérebro surpreendeu-se com a simplicidade do sentido da vida, já havia feito aquilo na imagem algumas vezes.

- Esse é o sentido da vida?
- Da sua vida, sim. Vocês humanos são uma raça muito burra, e não existe entre vocês uma conclusão do que realmente é classificado “Sentido da vida”. Por estatística, assumimos que é o evento ou ocasião que lhe torna mais feliz.
- Então o sentido da vida é ser feliz? Isso é tão clichê, isso é tão simples.
- É, o cérebro de vocês é pouquíssimo desenvolvido, e não pode desejar por muito mais do que isso. Vocês são uma raça triste, burra e corrupta por natureza.
- Ah, por isso toda a...
-... desgraça, fome e morte?
- É.
- Sim, e por isso que vocês não viajam no espaço, é super simples.
- Mas e a moral e ética? O ser humano também tem características louváveis! – Surpreendeu-se consigo mesmo um segundo depois de falar essas palavras. Estava defendendo a humanidade? Sério?
- Corrupção levado a outro extremo. Se fossem bons, não precisariam de códigos. Criações dos fracos para manter os fortes ignorantes. Tem outros 9 motivos, quer sabê-los?
- Não, já entendi. Nós fedemos. Pode me levar pra besta...
- Fico impressionado como isso nunca falha – Falou a outra massa, em tédio.

De repente a espaço-nave parou. Não havia janelas, não sabia como havia parado ali, e não sabia onde ia. Estava começando a mudar de ideia sobre morrer. Era covarde e estava com medo da morte, podia doer. Claro, era um ser humano.

- Chegamos, é aqui que me despeço de você.
- Espera! Isso é porque eu nunca comprei nada na banca? Levou para o lado pessoal?
- Não, lado pessoal é uma criação humana pra inserir emoção na lógica. A besta estava com fome e você era o ser humano mais próximo, segundo o computador na banca.
- Computador na banca?
- Sim, eu – Respondeu a outra massa, dessa vez virando um pouco a cabeça.
- Você era um computador?
- Sim, eu também via você todos os dias
- Mas... como?
- Eu era aquela caixa de chicletes. E todos os chicletes juntos formavam meu corpo
- E se alguém comprasse chiclete?
- Quem compra chiclete numa banca de revistas?

Ficou em silêncio. Se agarrou em uma coluna de aço e gritou que dali não sairía. Não queria morrer. Os seres moldaram suas bocas desformes em o que parecia um sorriso, e soltaram grunhidos graves e engasgados. Apertaram um botão e seu corpo se desmaterializou da nave. Durou 3 segundos, e a morte não foi tão dolorosa...

25/01/10 - 03:43

A pior parte das entrevistas de emprego era a entrevista de emprego. Levantou depois de muito esforço e vestiu-se silenciosamente, como se não quisesse acordar sua parceira, a qual não existia. Abriu a porta e deu de cara com o mundo pela primeira vez no dia. A impressão de primeiro contato com o mundo para ele sempre era nauseante e chata. Era o mundo exterior dizendo que não gostava sempre e ele sem forças para responder ou dar um pequeno sorriso de escárnio.

Pegou o ônibus, como não fazia há tempos, felizmente. Completamente lotado. Um homem sem braço e pequeno segurava com dificuldade a barra superior do ônibus, enquanto duas mulheres conversavam à sua frente, ocupando os bancos preferenciais. Um rapaz próximo ao deficiente indagou as duas mulheres:

- Qual é a deficiência de vocês?
- Do que tu ta falando? – respondeu uma das mulheres, em tom de surpresa.
- Digo, tá faltando boa educação ou bom senso em vocês duas?

O homem sem braço não se manifestou, apenas olhava tudo com olhos entediados de tudo que viram.

- Olha o respeito, seu moleque.

Tudo aquilo o enojava. Não sabia se estava enojado com a atitude metida do rapaz, com a reação das moças ou a indiferença do homem. Talvez tudo lhe enojasse.

Seguiu um silêncio quase apreciável, quando ele desceu do ônibus. Puxou um papel do bolso e tateou-o à procura do endereço do local. Caminhou apenas algumas quadras e entrou em um grande galpão, com muita gente conversando. Escolheu um local e ficou observando as pessoas na sua fila, categorizando-as, colocando-as em seus potes rotulados particulares. Nada o impressionou. Um rebelde sem causa, mulheres extremamente velhas em celibato involuntário, homens sem expressão memorável e uma daquelas mulheres que acha que as mulheres são seres cheios de mistérios, divertidos e instigantes aos olhos dos homens modernos, que usam sapato de couro e cabelo para o lado com gel.

- Ei, cara, você pode guardar meu lugar aqui? – disse o jovem atrás dele na fila.
- Não.
- Qual é o seu problema?
- Não me torre a paciência, ande.
- Acho que você tem problemas sérios, seu velho.
- Vá à merda, jovem.

A entrevista transcorreu como sempre. Era incrível como os anos se passavam, mas a síntese das coisas era sempre a mesma. Eles sempre te perguntavam coisas que lhes davam completa certeza de que você não era um ser pensante, para depois te oferecer um pagamento menor do que um salário mínimo e uma cesta básica que acabaria sempre sendo descontada porque você terá feito alguma merda, como pedir para ir ao banheiro sem pegar o passe do corredor.

No caminho de volta um mendigo veio em sua direção

- Uma moeda, sangue bom?
- Vá se cagar.
- Qual é o teu problema, cara?
- Vá se foder, e não venha pra perto de mim!

Caminhou ainda mais rápido para casa, não queria mais ser incomodado. Estava com aquele clássico sentimento de que sair de casa naquela manhã não havia sido tão boa idéia. Era como ter certeza de que no final o personagem principal morria, simplesmente não podia dar certo.

Na entrada do prédio o zelador lhe parou.

- Senhor B, não posso deixar que continue como está nesse prédio.
- O que você está dizendo, seu idiota?
- Não param de sair baratas debaixo de sua porta, é como se você tivesse uma maldita criação no seu apartamento.
- Você não tem nada que ver com isso, seu idiota!
- Você está trazendo problemas, senhor B, você está trazendo problemas.
- Vá se foder.

Correu para sua porta. Agora tinha certeza de que o dia recomeçaria bem. Estava longe do convívio humano e chato. Girou a chave na fechadura já com um sorriso de alívio. Abriu a porta e entrou apressado, colocando as duas trancas originais da porta, mais as duas que havia instalado para ter certeza de que não seria incomodado.

- Cheguei meus queridos! Sentiram minha falta?

Apenas sorria e caminhava para a cozinha, sentindo-se pleno e feliz. Distribuía frases alegres enquanto enchia os potes de seus gatos com ração. Fazia carinho neles e assistia-os comer enquanto comentava da sua estúpida entrevista de emprego. Era um ser cheio de amor.

23/01/10 - 23:38

Pequeno ensaio sobre o vento.

Folhas no chão de outono de uma praça, levadas para longe de suas árvores como adolescentes saem de suas casa, felizes por saírem e tristes por saírem. Casais apaixonados, experimentando do gostoso suco do amor. A inspiração de um poeta e seu gato preto, sentado ao lado da lamparina com olhos entreabertos, confortavelmente deitado, segundos antes de expelir uma bola de pêlos. homens sentados às mesas de bares, celebrando a vida e o espaço no mundo que lhes foi doado. Sacolas ao chão, levadas pelas bordas das sarjetas úmidas. Cachorros brigando pelo último pedaço de carne doado pelo bom e solitário senhor, que passa seus dias sentado em bancos, desde o dia em que sua querida companheira o abandonou. Sons de piano e violinos de jovens garotas dançando ao ar, como lindos casais, fazendo do céu seu palco, e dos ouvidos humanos, sua platéia. Homens, mulheres e crianças adormecidos pelas ruas, tapados com tudo aquilo que podem achar, incluindo papel. As paredes, as grandes construções humanas, o concreto, a humanidade. Tudo visto e revisto em forma de ciclo, até o momento de se transformar, até o momento de parar.

8/12/2009 - 02:34

Cansei dessa merda. Cansei de tudo. To de saco cheio dessa putaria toda. Eu tenho que fazer tudo a todo momento, não consigo parar por um maldito segundo, não consigo nem bater uma punheta, mesmo que quisesse. Tenho que fazer tudo e no final fico com uma grande sensação de que não consegui fazer nada. O inventário de 2009: NADA, NOTHING, RIEN, NICHTS. Que irritante, que chato.

Se eu continuasse com essa sensação de mediocridade e inutilidade, de ser uma pedra no sapato da existência, eu teria feito o favor a mim mesmo de passar meus dias deitado coçando meu rabo e descansando.

Quero férias dessa existência medíocre, quero férias das pessoas, dos sorrisos, dos gestos e, se você está lendo isso, provavelmente de você também.

29/10/09 - 00:16

um pequeno pedaço de "eu te quero muito"

vamos brincar de amor sincero
completo, ardente e incondicional.
enlaça o meu corpo
e me sente tremer e suar
enquanto te fito, te leio
como um livro.
vamos brincar de amor profundo
e cheio de travessuras
pensamentos
ante uma pequena vela vermelha
ardente e forte como um fruto proibido
flamejando com fogo desconhecido,
desconhecemos a origem daquele fogo:
teríamos riscado um fósforo
ou o pavio entrou em chamas com nosso próprio
fogo
humano?

vamos brincar de amor forte
molhado e sentimental
enquanto aos poucos te vejo aberta
e entregue, pronta para as minhas carícias,
às quais vou como um menino diante do doce
o doce mais doce e mais gostoso.
sim, sim: me abraça e te entrega
na tua mente de menina
e teu corpo de mulher.
vamos brincar de amor foguento
irradiante e feliz
enquanto teus dedos tateiam minhas costas
e um quadro de um casal à parde
testemunham todo aquele fogo
incendeando lençóis

incessante e entregue
age desta forma
rápida e deliciosa até
a hora em que atingimos o clímax.



só então estamos plenos e completos.