01/08/08 - 02:32

Sexta-Feira – 26 de Janeiro de 2004

Entrei no consultório do médico e me sentei. Não era um lugar ruim: quadros na parede, maca, mesa, três cadeiras e alguns diplomas na parede, nada realmente importante. Ele sentou-se, começou a tatear a caneta com os dedos e me perguntou qual era o problema.
Eu disse que o problema era que eu não cagava desde segunda feira, e antes disso, caguei na quarta feira. Ele disse que meu intestino estava desregulado. Pensei oh, jura pra mim? Acho que devo te pagar uma fortuna. Então ele começou a me fazer um monte de perguntas que nem lembro. Depois de uns 15 minutos respondendo as perguntas dele, chegou à conclusão de que eu estava com stress. Acho que eu já esperava por aquilo ali. Ele disse que era pra eu parar de fazer atividades estressantes e tomar um iogurte especial que tudo voltaria ao normal. Porra, como assim parar de fazer atividades estressantes? Deixa eu ver se entendi: Ele queria que eu parasse de namorar, tentar escrever, estudar e tentar inovar na minha vida, em troca de cagar umas 5, 6 vezes por semana? Então eu disse pra ele que a vida era estressante, e ele me perguntou como assim? Como assim? Pelo amor de deus, viver é estressante, acordar de manhã, levantar no frio e olhar a própria cara de sono todas as manhãs enquanto as pessoas à SUA volta dormem é um negócio estressante. O mundo e as pessoas são estressantes. O que eu podia fazer se não era um doutor bem pago e não podia ir para o serviço bem tarde? Vou ter de me tornar algum tipo escroto de garoto da bolha? Vou virar o garoto da bolha e vou me dar muito bem. Paguei a consulta do médico e fui pra casa. São quase duas da manhã e eu ainda não caguei...

1/08/08 - 02:04

Em memória de Gustavo Refosco:

Então eu me sentei do lado desse cara meio estranho, no metrô, com um cabelão enorme e ruim, com olhos enormes que ficava olhando pra todo mundo de um jeito engraçado. Sentei ali porque tinha aquela mania de que nada ia me acontecer, e que todo mundo sentava longe dele por algum motivo que eu não sabia qual era, mas que com certeza era idiota. Fico esperando o trem, pensando em coisa alguma, como gosto, quando de repente aquele cara do meu lado falou pra mim com uma voz grossa e grave:

- Nós podemos mudar o mundo, cara.
- Claro que sim.
- Não, sério, nós podemos mudar o mundo.
- Eu sei, não discordei.
- Olha a quantidade de caras corruptos, de desmatamento, tudo isso.

Achei que havia entendido o porquê de ninguém sentar do lado desse cara:

- Se eu puder entrar pra polícia federal, eu vou dar um jeito nisso.
- Que bom, cara.
- Escuta, o que tu faz da vida?
- Nada, mas pra comer eu costumo escrever.
- Ah, saquei. Então, ta aí, tu pode fazer umas baita críticas.
- Hum.
- E aí, criticar o governo, os caras da polícia, da corrupção. O que tu escreve?
- Contos, crônicas e poesias.
- Sobre o quê?
- Sobre mim mesmo.
- E qual é o sentido?
- Nenhum, mostrar para os outros que Schopenhauer tava certo, eu acho.
- Como assim?
- Viver é uma dor, saca?
- Nada a ver, cara! Viver é foda! É só tu tentar mudar o que tu pode.
- E o que tu quer mudar?
- O mundo, o Brasil, essa cidade, o metrô, tudo. Quero ser um cara de bem, quero tornar o mundo um lugar melhor, e mostrar pra eles que tudo pode ser melhor, cara, tudo pode ser melhor, é só tentarmos mudar.
- Não acredito nisso, mas não deixa de ser nobre.
- No que tu acredita?
- Nada.
- Justo...

Então meu trem chegou. Ele falou:

- Falou, cara, tente mudar.
- Adeus, e corte o cabelo se quiser aparecer na televisão.

Fui para casa, comi comida de microondas, me deitei, li um pouco e comecei a pensar que talvez a esperança estivesse lá dentro de todos nós e que poderíamos mudar o mundo se nos esforçássemos, talvez, talvez mesmo...

Aí eu dormi.

29/07/08 - 22:26

Viver é difícil, quando se nota que está vivendo. Quando a gente não nota a vida passando, somos felizes. No momento em que a gente olha paras próprias mãos e diz “ei, eu estou vivendo! Legal!” tudo começa a foder como em efeito dominó. E a vida vai ficando cada vez mais difícil, na medida em que vamos a vivendo.

Fiz 16 anos semana passada, e não seria grande coisa se os meus 15 anos não tivesse sido o pior ano da minha vida. Não poderia ter sido pior. Perdi muita coisa, e aprendi muita coisa que me fez perder mais coisa ainda. Eu poderia escrever um livro sobre os meus 15 anos. Não que fosse vender, mas só por escrever. Agora, parei pra pensar: chega a ser irônico como eu me preocupo com coisas como vida, futuro e ser um escritor, porque, porra, eu tenho 16 anos. O que as pessoas da minha idade fazem hoje em dia? Jogam jogos e se masturbam. Eles não estão vivendo, estão deixando a vida passar, e eu aqui, pensando em ser escritor, curtindo minha solidão.

Vou admitir: sou egocêntrico, e muito. Sou egocêntrico pra caralho e já perdi amigos por ser tão egocêntrico. Se você me conhece, não precisava estar lendo isso, simplesmente sabe. É como mijar: você simplesmente sabe. Sempre tive receio em ser assim, e já tentei deixar de ser assim, mas eu não consigo. Normalmente nas histórias dos meus escritores favoritos, os egocêntricos são os sem talento, que não sabem fazer coisa alguma e não nasceram pra o que estão tentando fazer. Ninguém nasceu pra nada mesmo, mas será que eu vou acabar como um escritor egocêntrico qualquer de um conto do Bukowski? Que vida medíocre, como a minha personalidade egocêntrica...

28/07/08 - 04:23

Muito pouco

Nos meus piores segundos
Quando o mundo me olha e
Parece querer dizer
‘Você está fodido, amigo’
E eu sinto todas as coisas à
Minha volta tão
Frias e inexpressivas
Tudo o que posso fazer
É escrever e
Então eu escrevo
E de repente há
Muito pouco com o que
Se preocupar.

_____________________

Estava escovando os dentes, desci para cuspir a água, então levantei e vi atrás de mim uma criatura verde, com a qual havia sonhado na noite passada. Achei estranho, fiquei meio horrorizado, congelado, não consegui me mexer. E a criatura me fitava com enormes olhos verdes, com um sorriso meio sádico na cara. Será que eu estava ficando pirado? Estava sonhando? Não, era real demais. Então me vi sentado, em frente à minha mesa de trabalho, com minha mulher de 150 kg num roupão branco dizendo:

- Amor, você tem que parar de pensar em matemática, está te deixando louco.
- Ah, sim sim, só vou terminar este cálculo e subir, ta bom?
- Tudo bem, querido.

Definitivamente não era a matemática...

27/07/08 - 02:50

27/07/08 - 01:46

Relato de um poeta sem inspiração preso em seu quarto em uma noite por uma mosca que cagava na cama.


Perdido, preso em um quarto sem perspectivas nem esperanças. Tentando sair, se libertar, impossibilitado de se mover, sendo observado pelos livros da parede, realistas, românticos, naturais, observando-o, em coro, vendo cada um de seus movimentos. Ele estava ficando louco, estava ficando paranóico, procurando na astronomia, na astrologia, em todas as ciências que poderia pensar em uma estética nova, uma rima diferente, uma forma incrível, para sua vida, para seus amores, para seu desespero. Estava desesperado, estava descontente. 70%. Esmagando tudo contra a parede, esmagando tudo contra a mesa, esmagando tudo contra tudo, tentando encontrar uma forma magnífica ou genial. Começava a suar. Suava letras, acentos, tentando colocar na mesa, na maldita mesa, no papel sobre a mesa. Nada parecia encaixar. Tudo parecia manchar horrivelmente a brancura pura e límpida daquele papel. Pior do que Lúcifer, pior do que Calígula, do que Nero. Ele estava POLUINDO aquele papel. POLUINDO O PAPEL. Eu poluo, tu poluis, ele polui. Ele poluía sem dó, sem escrúpulos. Estava enganando a si mesmo. Estava enganando o lustre sobre sua cabeça. O lustre que o fitava, fitava aquela afronta à frente dele. Ele estava sendo denunciado pelo lustre e pela parede. Pela máquina de escrever. Pobre máquina, sendo mutilada contra a vontade. Ela não estava consciente de suas ações, não estava. Nós não estamos quando as fazemos. Sartre. Sartre sabia escrever, eu não, pensava. Mas não devia desistir, devia continuar. Se não continuasse morreria afogado. Tentou correr. Estava colado à cadeira, não conseguia se mexer. Fazia esforços mentais. INÚTEIS. INÚTEIS eram seus esforços mentais. Ele tentou desistir. Mentiu para si mesmo que devia desistir. Não conseguiu, voltou à verdade, era politicamente correto. Não era como um acorde de guitarra, não era elementar, era algo além disso, estava em outra galáxia. E tentou entrar em um escafandro poético para mergulhar em águas que nunca viajou, mas apenas poluía papel, poluía mais e mais papel, e jogava fora, e matava árvores. E enquanto isso o mundo girava, mas ele não conseguia parar de sujar o papel. DROGA, DROGA, PARE DE SUJAR O PAPEL. Foucault, Freud, Beauvoir. Estes não sujavam o papel, apenas eram idolatrados por seus lustres. Aquele havia sido abençoado pelo seu, que resolvera queimar a lâmpada, para evitar que aquele ser fosse afogado. Queria ser aceso muitas e muitas vezes.


O ser havia se salvado, havia escapado do afogamento, desta vez.

25/07/08 - 01:44

Madrugadas, eu gosto de madrugadas. Acho muito mais agradável do que o dia ou a noite. Na verdade, acho que fico meio pirado para falar de madrugas. Fico achando que não estou na noite ou no “amanhã”, como se fosse uma zona de crepúsculo, ou algo louco que o valha. Acho que nasci com LSD do cérebro, que merda.


Demorei um bom tempo para chegar à uma conclusão significativa sobre o que eu escrevo: escrevo sobre merda nenhuma. Como se eu não quisesse dizer nada, apenas quisesse liberar uma variedade de pensamentos quase que já formulados na minha cabeça, mas que não quisesse dizer nada. Acho que isso que diferencia isso daqui de crônicas de caras fodas: não quero dizer nada nem criticar nada, estou passando para o real tudo que está no meu mental e estou pouco me fodendo pra procedência deste texto ou das críticas. Nas críticas: acho que a pior delas é a “tu escreve bem cara.”. Falei com um cara meio chupador de bolas. Ele disse tu escreve bem, e eu disse claro claro, como o resto dos desesperados tentando alguma coisa pra viver. Uma crítica dessas fode o cara, faz ele achar que escreve bem daquele jeito, e faz ele desandar e escrever de uma forma premeditada, para agradar as pessoas. Isso é horrível, acaba com um cara.


Acho que quem se preocupa com críticas muito seriamente não está descontente o suficiente para escrever com o coração. Escreve com o cérebro, achando que está causando impacto com aquela escrita, acho isso chato pra cacete. Acho esse tipo de gente chata pra cacete. Sou foda e escrevo bem pra caralho, sua opinião e a do resto do mundo não vão mudar isso, eles dizem. Foda-se, eu digo, não dou a mínima. E não dou mesmo, sou egoísta pra caralho. Não sou fã de ler o que os outros escrevem, ainda mais quando eles pedem. Salvo raras exceções, raríssimas exceções.


Eu poderia parar de escrever isso e dizer: um livro que vocês não devem ler porque é um lixo, mas o lixo aqui sou eu, nesse caso. Críticos, depois do trabalho chegam em casa e vão beijar sua mulher: uma enorme fatia de merda, e dormem na sua confortável cama: o vaso. Não preciso de alguém me dizendo o que ler, quais são as tendências e o que está em alta/baixa.


Tenho lido sobre existencialismo, fenomenologia e música contemporânea, e tudo parece se ligar magicamente, junto com surrealismo e cubismo. Tudo está ligado por mentes geniais que foram contra a corrente e hoje em dia me deixam deslumbrado, mas não por ser o objetivo deles. A maioria dos artistas só fazem o que gostam, não se importando com o povão que os aprecia, na maioria das vezes. Está na nossa cabeça essa loucura de procurar mensagens filosóficas e complicadas explicações sobre nem-nós-sabemos-o-que nas músicas do Stockhausen ou nas Ready-Mades do Duchamp. Está tudo na nossa cabeça, para variar, sempre está. É impressionante como cabem pensamentos valiosos no meio de tanta merda dentro das nossas cabeças...

24/07/08 - 23:30

Não sou bom poeta, mesmo. Não sou grande coisa e já fui criticado, dito que como poeta eu não convencia. Tudo bem, acho que não se pode agradar todas as pessoas do mundo. Mas eu continuo tentando, sou desesperado o suficiente para isso, para continuar escrevendo poemas que não convencem. Como se não bastasse a cara de pau, ainda os publico aqui:

Problemas?

não ligo para problemas, meu velho
há meses gasto todo meu dinheiro
em cigarros e bebidas
e pessoas desalmadas

em todo esse tempo
me dirigiram a palavra apenas
uma vez:
era a conta da luz.

Coisas

eu ando todos os
dias na rua e
vejo todos os dias um
monte de coisas caminhando
apressadas ou não
indo para todos os cantos
tentando viver:

raramente vejo seres humanos

Porque Deus é um filho da puta e eu não

eu briguei com todo mundo
e todo o mundo parecia estar
irritado com uma coisa que
nem eu conseguia entender
o que era

então saí pela porta e comecei
A caminhar pra sentir o vento na
minha cara.

cheguei numa esquina
e vi um gato quase morto
ele ia morrer se ninguém fizesse nada
então eu peguei ele pra
cuidar e dar comida à ele

hoje em dia o gato se chama bingo
e está mais gordo e melhor alimentado
do que eu.
deus é um filho da puta, eu não.

19/07/08 - 21:47

Não sei o que dizer. O mundo fica girando e girando, e as pessoas vão morrendo e tendo ataques epiléticos, e eu aqui, na frente do computador sem ter algo para dizer para vocês. Acho que não é necessário, o mundo parece ter parado de procurar o messias há um bom tempo.


O mundo é um lugar muito chato para se ficar. Se houvesse outro lugar para ir, eu iria com certeza. O inferno parece ser um lugar chato, eles pegam a coisa mais chata da sua vida e ficam repetindo sem parar. Não quero viver em um lugar onde livros do Paulo Coelho são a única coisa para se ouvir, e fica tocando músicas dos anos 2000. O céu é um lugar pior ainda. Porra, imaginem quem deve estar lá: Einstein, Kennedy e Martin Luther King. Eu prefiro ficar no mundo à ir para esses dois lugares.


Enfim, voltando ao mundo. Sem dúvidas um lugar muito difícil também. Não adianta ser um fraco, é precisa reação às escolhas dos humanos superiores, que determinam o que é fraco e o que é forte. A gente simplesmente TEM que sobreviver num lugar desses. O mundo não é compartilhado, não é de todos. Deus não nos deu o mundo para repartirmos. O mundo pertence à quem pode possuí-lo, e isso estressa. Isso é tão chato quanto exame de próstata. Se eu tivesse uma oportunidade de ficar de frente para a morte, eu diria “ei, quando você vem me buscar? Eu estou afim de ir de uma vez”, mas sou tão sortudo que a morte seria capaz de dizer pra mim me foder.


Dizem que todos os dias temos 30% de chance de morrer. Seja lá como for isso, somos muito sortudos de uma forma ou de outra. Quero dizer, porra, muita coisa pode matar, mijo de gato pode matar, um disco de vinil pode matar. O mundo é como a boca de um leão adormecido, e nós estamos com a cabeça dentro da sua boca aberta, rezando para que ele não acorde e nos coma. Às vezes coisas estúpidas podem acordar esse maldito leão.


Todos precisamos administrar nossos 70% muito bem, todos os dias, para que nos mantenhamos vivos. Eu escrevo, uso todos os meus 70% escrevendo e criando, tentando ser um poeta ou artista. Passei quase dois anos da minha vida escrevendo pensando em como o público gostaria que eu escrevesse. Agora escrevo como eu acho que devo escrever. Devo escrever pra me livrar, pra falar tudo o que preciso. É necessário muito desespero e descontentamento pra escrever, e eu estou esmagando esses 70% com o meu desespero. Mas o mundo não é rosas: um dia, uma poesia minha pode acordar o leão.


Não ficaria triste se acordasse o leão, penso demais nas coisas. Quase compulsivamente, e isso me dói, como boa parte das coisas. Pensar não é um problema, não pensar é ótimo, mas pensar demais fode com qualquer um. Eu penso demais em ser um escritor, e isso me corrói como se eu tivesse uma lombriga dentro de mim sugando toda a minha possível felicidade.


Por que não paro de ficar divagando sobre o mundo e paro de torturar você, obrigando-o a ler esse texto? Porque eu sou egoísta, e estou aproveitando meus 70% do dia inteiro. Nunca sei quando vou poder ser feliz de novo, nunca sei. Tenho que burlar o sono do leão, todos têm...

16/07/08 - 22:34

Não consigo entender vegetarianos. Que coisa mais patética. Não comer carne porque uma vaca ou uma galinha têm tanto direito de viver quanto nós? Por que eles não adotam todos os galos usados em briga de galo e cuidam dele, dão um nome coerente como Alfredo ou Matias, compram o jornal dominical pra eles e dizem para as pessoas que eles têm hábitos estranhos, como tomar leite sempre no mesmo copo. E quanto às alfaces? Será que elas também não têm direito de viver? Se for assim, só restam átomos e merda para os seres humanos politicamente corretos. Esse tipo de gente quase me dá pena.

Mentira, acho que pena é um sentimento de muito escárnio, e nunca corresponde. É como sentir pena do mendigo. Tenho muita pena do mendigo que vive na esquina da minha rua, até que ele entre na minha casa e roube minha comida, ou me assalte com um canivete, roubando meu dinheiro minhas roupas e meu celular. Pena não é recíproco e é até mesmo idiota. A maioria das pessoas idiotas que me rodeiam sente pena. Simplesmente sente. Que grande porcaria. Sentem pena do planeta, da água. Que merda é essa? O planeta não vai sentir dor e não vai ficar triste de sumir, ou de extinguir toda a vida nele, nós é que estamos realmente fodidos.

Estou sendo herege de novo, acho que sou herege quase toda hora. Não quero enganar você, leitor. Eu não dou a mínima pro mundo, só fico observando a merda ser feita. Acho que não passa pela minha cabeça que eu possa morrer de sede. Não adianta fingir que não faz parte do sistema quando se faz parte do sistema. Faço parte do sistema de reconhecimento do governo, do sistema educacional do país, faço parte de um monte de sistemas. Não que sejam ruins, ou que eu não goste disso. Como disse, não dou a mínima. Gosto de ver os outros clamando por melhores condições de vida. Os outros. Eu não tenho tempo pra esse tipo de coisa.

Que droga, pareço até preocupado com o mundo falando esse monte de coisa. Vou lhes contar uma coisa menos séria, só me deixe encontrar alguma. Ah, sim. Olimpíadas escolares. É outra coisa patética. Podiam me dar duas semanas de férias, para ficar longe daquele lugar. Eles sabem que eu vou faltar durante toda a semana e vou ter duas semanas de férias. Mentira, vou ir a uma aula de matemática no dia do meu aniversário. Acho que não poderia receber um presente melhor daquele lugar. De verdade. É algo bem digno de lá. É um lugar bem ruim para se estar. É sempre a palavra deles contra a minha, e eles sempre vencem, afinal de contas eles têm 40 anos.

Este texto ficou uma merda e vou dormir, boa noite.

16/07/08 - 13:15

Que coisa, nunca me imaginei escrevendo de dia. Não gosto. Deve ser frescura minha, acho a noite mais enérgica pra escrever. Coisa fresca, fico me metendo a poeta solitário, que bosta.


Sabe, eu estava pensando. Se Schopenhauer lesse meu blog, ele me crucificaria, diria que eu sou um dos podres, que não têm nada para dizer e fica confundindo a cabeça das pessoas. Duas coisas para dizer ao Sr. Schop: Ninguém lê essa merda de blog mesmo. A segunda é que estamos na era da informação, e a informação não é necessariamente útil, creio. Digo, qualquer um que queira dizer qualquer coisa que venha na sua cabeça, cria um blog, escreve e publica. Pronto, está incrustado na maior rede do mundo o pensamento, sonho, receita de bolo, qualquer coisa. E vai ficar ali por um bom tempo, a não ser que você não queira. Isso me faz pensar onde estão os caras fodas, digo, nas épocas antigas todo mundo perdeu a cabeça ou as tripas porque pensou em alguma coisa que fazia sentido: Joana D’arc, Copérnico, Lavoisier e um monte de outros caras que não lembro agora. Se bem que seria estranho ler uma postagem de blog de Joana D’arc. Bem, prefiro ela queimada.


Acho que sou rodeado de gente idiota. Sinceramente, a maioria das pessoas que tenho que ver na minha vida é idiota. Como se não bastasse olhar para um sol com cara de cu todas as manhãs, tenho que ver um monte de gente que acha aleijados afegãos engraçados. PORRA, aleijados afegãos NÃO são engraçados, que merda, que merda essas pessoas que não conseguem ver a tristeza na vida e acham divertido ver homens mostrando seus cotocos formados por minas em beiras de estradas de terra para conseguir carona em uma carroça em pleno século 21. Isso me faz pensar que nós, brasileiros estamos bem, estamos perfeitamente bem, esses caras do Afeganistão é que estão mal. Digo, não vejo nenhum problema em ser um jornalista mal pago se não tiver que botar minha mão em uma mina. Além do mais, acho que me mataria se não pudesse ver outras mulheres além da minha. Não, eu me torturaria antes. Pareço um herege falando, minha namorada provavelmente ficaria sentida se lesse isso, mas olhar para homens pela vida inteira não é pra mim.


Imaginem o que Vinícius de Moraes teria feito se tivesse se exilado no Afeganistão. Ele teria se matado com certeza, olhando para cara de poucas mulheres. Acho que qualquer homem que não é cegamente guiado por uma religião se mataria, incluindo eu. Na verdade, eu me mataria em tantas circunstâncias que não conseguiria fazer uma lista aqui.


Tudo bem, a gente TEM que sobreviver a coisas como a humanidade. Eu, em especial a uma tarde de Educação Física, começando agora. Boa tarde.

15/07/08 - 23:10

Uma coisa mais chata do que pisar na merda é acordar cedo. Acordar cedo é a pior das invenções humanas depois – ou antes, grande dilema – da bomba atômica. Eu acordo cedo pra caralho todos os dias e odeio isso, fico enrolando na cama por uns dez minutos e acabo por sair de casa atrasado. Grande coisa, um dos segredos da vida é não se levar muito à sério, e esse vem bem ao lado de durma até bem tarde.


Uma vez me disseram que meu destino era acordar cedo. Que brincadeira de mau gosto. Acordar cedo tira toda a magia da vida, digo, não há nada de poético no pôr-do-sol/nascer-do-sol. É muito legal fazer poesias sobre ele, agora, olhar para ele todos os dias não é nada poético. Eu olho pro céu todas as manhãs e digo “bom dia” e ele me parece me responder com algo como “estou cagando” ou “maldita manhã”. Além disso, o que diabos é o destino mesmo? Não, eu não aderi à esta causa. Não acredito em destino. É como ser ateu: muito mais fácil. É difícil se forçar a acreditar em alguma coisa quando não se precisa acreditar nela para ter uma vida melhor. O destino se iguala muito a Deus: é broxante. É realmente broxante a proposta de ficar apenas habitando o próprio corpo, esperando que uma série de coisas pré-determinadas aconteçam, escritas em um script no nosso primeiro segundo de vida. Prefiro acreditar em coincidências, a vida é muito mais gostosa assim.


As coincidências são as coisas mais legais do mundo. É divertido pensar como é “por um triz” que as coisas nos acontecem. É chato encontrar o amor da sua vida e obrigar-se a acreditar que estava pré-determinado. Porra, se eu conhecesse umas 10 mil pessoas a mais, eu provavelmente encontraria uma pessoa muito mais parecida comigo do que o provável amor da minha vida, se bem que amor é uma questão de comodidade. A gente tem que se acostumar com quem ama ou como ama, senão acaba morrendo em algum canto, sozinho e fedendo, dono de onze gatos que mijam pela casa inteira e têm lugares estranhos pra cagar, como o ralo da pia da cozinha. Eu não preciso disso. Nem de destino, nem de onze gatos. Preciso mesmo é dormir, estou com dor de cabeça, droga.